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Mostrando postagens com o rótulo Folclore Regional Brasileiro

O porco que andava

 Não se sabe o ano certo, pode ter sido por volta de quarenta e oito, ou nove, ou cinquenta, o causo se espalhou de boca em boca. Era um sítio perto de Iretama/Paraná, um casal humilde e trabalhador, três filhos homens, mais duas filhas mulheres, e uma garota que havia pego pra criar. Sempre ao entardecer no pacato sítio, pouco depois do sol morrer por completo, todos daquele pequeno local se recolhiam pois acontecia um fato que ninguém sabia – as janelas e paredes da casa tremiam a ponto de derrubar tudo o que havia nas prateleiras e pendurado nelas. A casa parecia que estava tendo um tic tic nervoso, e isso deixava a todos muitos apavorados e se partiam na reza pra ver se parava ou acalmava aquilo que incomodava a casa. Mas que nada, dia após dia aquilo continuava e cada vez com mais força, e mais força a casa tremia quebrando os vidros das janelas e fazendo os animais do sítio berrarem, uivarem, rangerem seu lado bestial. E cada vez mais o evento se prolongava, chegando a durar ...

A lenda do Corpo Seco

 Seu Karmelino era fazendeiro rico lá pras bandas de Pedro Gomes. Chegou com a invasão de setenta e estabeleceu impérios na região. Trabalhou com comércio local, e grilhou muitas terras. Desmatou boa parte delas e de lá expulsou o povo indígena de sua terra. Explorava os nativos da cidade e não se importava nem com o bem e nem com o mal. Iniciou carreira política, Foi vereador, foi vereador de novo, até ser prefeito de Pedro Gomes. E quando achou que já bastava de tanta roubalheira, decidiu estabelecer família, casou-se e teve filhos, três pra ser mais exato, então... Mas sua avareza não tinha fim. Era rígido em casa e não deixava haver gastos, todos economizavam na conta do pão, da energia e na água. A roupa lavada aproveitava a água que caia da chuva. E enquanto havia a luz do sol, todos se sentavam na varanda, e mesmo quando a noite caía, eles papeavam embaixo do poste de luz na calçada. Os filhos cresciam, e todos herdaram a roupa do primeiro, e como a menina foi a última, semp...

Me pega, por favor!

 [ PLANO ESCURO ] [ Cena segue em plano escuro. ] [ Som em fade in : barulhos de objetos sendo quebrados, coisas sendo arrastadas e jogadas no chão. ] [ O plano preto começa a abrir em ângulo baixo. A câmera circula o ambiente, mostrando o chão completamente bagunçado. Ela continua a se mover até chegar aos pés de Maria Helena, que pragueja em voz alta, revirando o camarim à procura de sua palheta de casco de cabra. A câmera sobe pelo corpo de Maria Helena até focar em seu rosto, em um ângulo que, ao se abrir, revela a porta do camarim atrás dela. ] - “Merda! Cadê minha palheta! Merda! Merda!” [ A câmera se afasta, e a porta do camarim se abre, revelando Cruzeiro Miranda, empresário de Maria Helena. Ele para na porta, observando o camarim destruído. ] [ Som externo da música aumenta ao abrir a porta. Barulhos de pessoas falando, tilintar de copos e garrafas e o som da banda tocando. ] - “O que é isso, Maria Helena? Deu para ser pop star e quebrar todo o camarim? Vamos ter que ...