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A parteira de Jesus

José encontrou uma caverna, levou Maria para dentro, acomodou ela de forma confortável e saiu para buscar uma parteira aos arredores de Belém. Na periferia da cidade, eis que José se viu andando, mas não podia avançar. Assustado, levantou seus olhos para o céu, fixou a vista no firmamento e percebeu que tudo a sua volta estava estático - os pássaros estavam imóveis parados no ar, assim como as pessoas a sua volta estavam paralisadas, até mesmo a correnteza do rio que cortava a cidade parecia não poder correr o seu rumo. Tudo a sua volta estava estático, tudo tinha sido afastado por um instante da sua normalidade.

§

Então uma mulher que descia da montanha, percebendo José desesperado e perdido lhe perguntou:
— Tá tudo bem com você?
— Preciso encontrar uma parteira. Respondeu José.
— Quem está dando a luz? Ela replicou.
— É Maria que está numa caverna perto daqui. Disse José.
— Ela é tua esposa?

Curiosa, a mulher continuou seu questionamento e José respondeu:
— Sim, sim, sim! É minha esposa, mas a criança que ela carrega no ventre foi concebido pelo Espírito Santo.
— Hum... Entendi! … Eu sou parteira, posso até te ajudar mas... Não quero confusão pra mim. Olha lá, hein?!

José respondeu:
— Obrigado mulher bondosa!

Mesmo desconfiada, a parteira seguiu caminho junto com José, ao chegar na gruta a mulher ficou encantada com a nuvem luminosa que protegia Maria dentro da caverna. Com grande emoção, a mulher se ajoelhou e iniciou o processo de parto. Momentos depois, ela ergueu seus braços para os céus e exclamou:
— Louvado seja Deus, minha alma foi abençoada. Obrigada meu Senhor! Obrigada!

Neste instante a nuvem começou dispersar, mas a luz que a nuvem emitia era muito intensa e cegavam os olhos da parteira, somente quando a luminosidade diminuiu, que a parteira pode então perceber, a presença do menino Jesus sendo amamentado no colo de Maria. Eufórica, a parteira gritou:
— O salvador nasceu! Louvado seja Deus!

§

De volta em Belém, a parteira ainda estava maravilhada com o que havia presenciado e vagando pelas ruas encontrou sua amiga Salomé...

— Salomé, Salomé! Deixa eu te falar... O Salvador nasceu! As profecias estavam certas, uma virgem deu a luz ao Salvador!  

Salomé analisou a amiga com olhar desconfiado de cima em baixo. Cheirou o hálito dela e retrucou:
— É muito sol na cachola, tá variando amiga? Tu tá de onda comigo, né?! Só acredito vendo e tocando com os dedos a virgem.

A parteira apanhou sua amiga e seguiram rumo a gruta onde se encontravam Maria, José e Jesus. Dentro da caverna, Salomé desconfiada não percebeu luz alguma e começou a dizer em voz alta para a amiga parteira:
— Tá vendo amiga! É tudo mentira. Puro caô. Se liga que não tem Salvador nenhum aqui.

Persuasiva, Salomé convenceu Maria que humildemente se deixou analisar. Salomé introduziu seu dedo e quando percebeu a verdade, dobrou os joelhos e gritou:
— Ai de mim! Como fui má! Desculpa, desculpa, desculpa por não acreditar. Por favor, Deus me perdoe, não me castigue por minha crueldade. Prometo ser fiel ao Salvador.


Quando então surgiu um anjo, um ser alado, lindo por natureza que encantou a todos que estavam presentes e exclamou:

— Salomé, Deus te escutou. Mesmo que você não acredite, Deus acredita em você. Tome Jesus no colo e se banhe com seu amor, pois é isso que te falta: amor no coração!




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(Inspirado no apócrifo de Thiago.)

 

10/02/2016